Jejum intermitente é uma boa estratégia para emagrecimento?

Jejum intermitente é uma boa estratégia para emagrecimento?

Com o aumento do sobrepeso, obesidade e outras doenças crônicas, na internet e nas redes sociais tornaram-se abundantes as informações e estratégias para emagrecimento e melhora da saúde. Porém, é muito importante frisar que do ano 2000 para cá ocorreu um aumento do índice do sobrepeso no Brasil: o país apresenta mais de 20% da sua população em obesidade e mais de 60% com sobrepeso.

O que se torna algo incoerente quando se leva em consideração a enxurrada de dietas espalhadas pela internet e a ineficácia delas contra esse problema social. Dentre todas essas dietas, existe o polêmico jejum intermitente, e mesmo entre os profissionais de medicina e nutrição ainda não existe um consenso se o jejum é a melhor estratégia ou não para emagrecimento e também para a melhora dos marcadores bioquímicos relacionados a diabetes e hipertensão.

O fato de o jejum ser utilizado para emagrecimento e saúde é algo que merece atenção, já que em grande parte das vezes são utilizados estudos científicos para embasar essa prática como algo “milagroso”. Uma revisão sistemática publicada na revista Science compara o jejum intermitente com outras estratégias convencionais de emagrecimento através da restrição calórica.

Quando interpretado de forma correta, observa-se no artigo que o termo correto é ‘restrição calórica intermitente’, em que você escolhe dias específicos do mês para comer menos e outros para comer igual você come normalmente. Fica evidente nesses estudos que os resultados para perda de gordura são semelhantes ao da restrição calórica tradicional. Nesse caso, o artigo indica que o jejum foi considerado mais indicado para quem tem boa adesão a esse método e não como uma estratégia milagrosa e definitiva.

Até o momento são poucos os estudos comparando jejum com outros métodos de restrição de calorias, mas o principal é que até o momento não temos estudos de longa duração para bater o martelo e defini-lo como uma estratégia mais eficaz para todo mundo.

De forma geral, para executar o jejum a estratégia básica seria ficar um intervalo longo sem comer, e em algum momento do dia numa janela de tempo, você pode ingerir todas as calorias que seriam consumidas ao longo do dia. Um protocolo básico são os jejuns que acontecem com 12 horas sem comer, indo até 20 horas. Existem alguns protocolos mais severos com mais de 24 e 48 horas, mas que são sempre razão de polêmica no meio virtual.

O fato é que, no conceito básico de fisiologia, o jejum ajudaria a abaixar os níveis de insulina, hormônio que transporta o açúcar no sangue, como forma de acelerar o processo de emagrecimento e também melhoras taxas bioquímicas referentes a glicose e colesterol.

Mas a verdade é que cada pessoa funciona de um jeito, então só porque alguém emagreceu bastante com jejum intermitente, isso não significa que essa estratégia seja a melhor para todo mundo. E aqui que começa a reflexão comportamental sobre os jejuns.

A verdade é que o emagrecimento é algo muito romantizado na sociedade. Muitos estão em busca do emagrecimento a qualquer custo, envolvendo uso de remédios e dietas de alta restrição. Um fenômeno muito comum é alguém emagrecer por algum método específico, seja ele jejum, low carb, atkins, cetogênica e esse emagrecimento ser motivo de espalhar para o mundo inteiro o quão incrível é a dieta que a pessoa emagrecida fez.

Como se aquilo fosse a nova maravilha do mundo. Entenda que emagrecer não é a mesma coisa de ganhar um Prêmio Nobel, nem tampouco construir um foguete. Emagrecer se trata apenas de perder gordura corporal e não existe nenhuma superação envolvida nisso.

Comumente pessoas que emagrecem através do jejum e enxergam isso como a solução de suas vidas passam a dizer para todo mundo ao seu redor que o jejum tem que ser feito por ser incrível e resolver todos os problemas. Dizem também que jejum é apenas um estilo de vida. Mas é um estilo de vida para quem? Entenda que o ponto aqui não é dizer que o jejum não deve ser feito, mas refletir que ele não é para todo mundo e cada um tem a sua forma e maneira individual de se alimentar e não necessariamente precisa ser o jejum.

Outro ponto é quando tentam fazer o jejum à força devido à imposição dos praticantes que se adaptaram bem ao método. Muitos acabam não tendo a mesma adesão, mas ainda assim, por acharem que o jejum vai resolver todos os problemas, insistem em se adaptar.

O que traz um ambiente de privação para o corpo e por conta disso episódios de comer exagerado no futuro. Tal fator não acontece com todo mundo, mas é muito importante prestar atenção nos sinais do próprio corpo, entender como funciona sua fome e vontade de comer antes de impor qualquer método ou estratégia nutricional na base da força.

Portanto, se você se sente bloqueando ou desrespeitando uma vontade do seu corpo, se o jejum te desconecta dos seus sinais de fome e saciedade, então provavelmente essa estratégia não é a mais eficaz para ser feita. Tal afirmação não envolve questões bioquímicas, mas, sim, comportamentais.

Antes de tudo, aprenda a conhecer seu corpo, suas vontades e melhore a forma como você come e sente os alimentos.

Fonte: VivaBem